Tábata Morelo

Taquicardia

Tu---tum, Tu---tum, Tu---tum
Tu--tum, Tu--tum, Tu--tum
Tu-tum, Tu-tum, Tu-tum
Tutum, Tutum, Tutum
Tum, Tum, Tum
tututututututu
tuuuuuu
piiiii
iiiii
iiii
iii
ih
!


Urbanóide

As árvores
crescem no cimento
O cimento
cresce por onde ando
As árvores
crescem e morrem
Em silêncio

Em chez tabuleiro
A dama vulnerável
Percorre casas desmontando exércitos
Como meretriz em esquinas
Pretas e brancas,
Corrompendo celibatos
Desafiando o doutro lado

eu já estava pronta para um novo amor
você era pranto do antigo
já me ajustava na sua cama
você ouve só o que digo
nem reclamava ou te pedia
você sempre justificando calmarias
te provocando a saliva
lacrimejando palavras
interrompendo sonos
prolongando madrugadas
o trabalho bem feito,
é aquele com suor e lágrimas


seja qual for o crime
eu assumo
e me jogo com
a corda no pescoço
me distraio na queda

seja qual for a luta
eu reluto
e justifico a falta
na secretaria

seja qual for o amante
eu me viro
reviro na cama,
suspiro

Despeta(dor)

Descupa se quebro teu sono
Se te faço zonzo sair de casa
Espera o sol da alvorada
Que sempre chegará aos teus cabelos
Pedoa-me a intromissão, a falta de pudores
O envolvimento que faz parte de mim
Diariamente
E o peso dos olhos
A leveza matinal
O peso e a leveza da vida
Juntos
O sonho se
Confunde
A escolha
Da leveza
Do sonho
Confunde
Manhã
Escolha
Sonho
Juntos
Acorda(dor)
Acorda
Rima
infinito
8
já fez homenagens
já prestou sua rimas
aos nomes das meninas
menos meu

não tenho rima
não tenho graça
não tenho o ar que gama
a única coisa que tenho é você na cama

DA VI DA TA RA

aflição, unhas se comem
desconforto, descamado
malamado, elambrecado
pára e totem
marquiemado
dessossegado, acordado
braço, afinado, posto
arranjado, contragosto
contraposto, postado
reposto amado
empelado gôsto
de ter minado
furo, foco
entrega
quase brega
moço


a freira caminha
com umas chinelas
dessas bem descoladinhas:

praça da liberdade


Celibato Clerical (CC)

O Papa: que não transa,
que não tem filha que transa,
que não tem neta que transa,
não gosta de camisinha.

O Pai: que transa,
que tem filha que transa,
que tem neta que transa,
não gosta de camisinha.

O primeiro, por conta da chatice.
O segundo, porque é católico.


paradigmas
paradogmas

vivo sem o modelo
sem qualquer religião

No chão

Oh humilde que olha para o chão
És humilde talvez,
Talvez não

Oh divino, o lhe para o céu
E para todos os lugares,
Talvez não

Humilde e divino e tudo
Pouco ruim, pouco bom
Percep ção

No teto

Do céu te trago a notícia:
A terra é o céu de quem crê na terra.

No corredor

Passe, passe mesmo assim por mim
Passe que`u nem te vejo, nem te quero
Passe e vá embora
Passe que sou dos que ficam
Passe e a pressa que te acompanhe
Passe que`u fico com a perfeição


os livros lidos
os problemas fardados
os falos calados
a conexão mínima
o banho delícia
o sono promíscuo
martha my dear
os pelos soltos
a barba feita, pouca
a voz inédita, rouca
temo-te
tétano


chegou a hora de eu parar com essa história de letra
embolada e da palavra aarticulada.
quem quiser ler, me leia. quem quiser ouvir, é só
perguntar (não sou de mentir).
revolucion number nine!


e dum instante pro outro
tudo mudou
e voltei ao meu lugar
sem rumo
onde cada caminho é possível
any road
acordo e olharei
pela janela
a nova paisagem


SÉU AZUL MININA

travalínguas
neologinhas
psicodelinhas
tudo será possível com desprendimentos
viva quem vida tem
veja quem por vidro tem
fumê pra se protejê
atravesso a rua num passo mais forte
trespasso sua idéia com a minha de morte
obstruo os poros
obstino os modos
e invento todos pecados
possível seria nosso diálogo escroto
intransponível seria um carinho que machuca pela dúvida
sub estima
sobe estima
desço e viro esquina
engulo o elogio
quase que acredito que não havia estado antes
suposta
pródisposta
préamostra
tudo poderia ser mais matinal
menos madrugal
cruzo fronteiras
transo por bandeiras
trepo nas palmeiras pra enxergar sem sal sem água sem enxurrada que escorre
nas maçãs
do rosto
de resto nem me tardo
tudo que é tarde ou cedo
tudo que arde dá um pouco de medo
ardo
tâ ma ras
da mas cos
pis ta ches
som de flau ta
infiltrando nas paredes
os mofos
tocando
aumentando em agudos problemas respiratórios
temo-te entrar nos meus oriférios
contra os meus princípios
derrubando os príncipes dos cavalos
sapo-te pra ter esperança
lago e largo
redondo, redando
pra testar baliza
pra ser meia, meia, meia
inteira
música pra desistir
ticket to realize
o suicídio social
a insistência sorrisal
tudo que entra num prisma sai mais colorido
tudo que entra na vida sai mais confundido
e no caso não é diferente
não sou indiferente se é raso, se fundo
afundo e mergulho sem pressa e sem jeito
sem voltar à tona
bebo uma água atônita
com o corpo que é do jeito certo o sufiente
suficientemente ausente
saudoso
suficientemente mentiroso
perder energia pode ser fatal
ouviremos um mantra
repetiremos o dantes?
mordo a batata recheada
mordo e sempre termino pelada
ouço sem maiores comentários
ouço os solos
e prefiro-os pela solidão dedilhada
distorcidas são todas as outras coisas do mundo
mesmo tudo que é mudo
ou tudo que fala
tenta expor
mas não encara
a advertência guitárrica
o lamento do choro
e o coveiro cavaco
que enterra toda dor no passo que desliza descalço
não ouço mais meus vinis
não tenho mais meios
de te tocar
acabaram as cartas
para trocar
acabaram as fichas
o dinheiro e o limite
ser brega é mais fácil
se embriago me largo e dou mais
me acabo junto com as fichas, créditos, dinheiro
todo dia e dia de dúvida
e ao contrário do que dizem, é bom sempre duvidar
é bom às vezes dividir
tudo junto faz cada fim de dia ser mais vida que seria se estivesse tudo certo
vacino-me do amor incondicional
cometo crimes pra te amar em condicional
em grades
que enquadram o sol e você na mesma seqüência
prefiro também não ter tanta audiência
pra reclamar da falta de entendimento
te-lê-spector
deveria pelo menos eu me ligar
me dar canal pra conversar
me por no ar
atirar-me do avião mais uma vez
sete vidas se foram
sem alcance
empilhei os livros que ainda vou ler
subi e dormi pra escrever
post-uma seria in net
out dor
on the ground
a ordem dos cadáveres
no cemitério
é por ordem de chegada
ou saída
dependendo da perspectiva
devida
a ordem e progresso sempre por vir
sempre em desenvolvimento
sempre chegando
ao norte inalcançável
faltam células adiposas
sobram células nervosas
glóbulos vermelhos (células comunistas)
caviá está para o vatapá
assim como estamos pros de lá
bem mais quentes
sei-os fartos
sei dos adultérios
da falta de documentos
de monumentos
que provem
a natureza tal como é
o bicho-homem tal como quer
e valeria nesse momento, confesso
uma piscina
e um biquíni azul da mesma cor


minicontos


DÚVIDAS CRUÉIS

_qual será a primeira palavra?
_

SOBRE OSTRAS E BIÓLOGOS

coletada
coitada,
largada na beira d`areia

AMIZADE

e o silêncio não incomodou depois daquele dia.


DIVÓRCIO

os olhos firmes bateram as portas.

DATILOGRAFIA FONÉTICA

quem ditava emudeceu.

ATRASO

perdeu o ônibus quando viu o amor passar

WALK TALK

o policial disse:
_ uma tristeza incomensurável!
o corpo permaneceu indiferente.

META MINI CONTO

em até apenas cinqüenta letras uma história
(ou quase)

MEDICINA ALTERNATIVA

_Calma, finca o dedo que a vontade de vomitar passa.


JORNAL POPULAR

(aqui) morreu e era (super) gostosa!!!

PUXA-SACO

_Ái!!!
_desculpa...

SEM INSPIRAÇÃO ou PRISÃO DE VENTRE

depois de dias o papel continuava branco


(haicais)


ventania passa
tudo era poeira
claro silêncio


sábio que cala
gotícula de nada
cobra d` água


azulejos vazios
pedras azuis
fáceis arpejos


a pincelada
colorindo o papel
a olhos depois


Cousa maior ocorre
Quando leio em linhas-metrópoles
E me deito
Espelhos d´água
Colônia de suas embarcações

Enjôo
O balanço que leva
Sou levada pelas ondas da vida?